Quer pertencer? Bloqueie seu crescimento e conforme-se.

by Juliana Cândido Custodio

Uma reflexão: O quanto a sua dependência de validação te bloqueia de ser quem você realmente é te deixando em lugares e grupos aos que não te cabem?

« Pertencer » é só uma forma bonita de se curvar ao medo de crescer, um disfarce de busca por validação e limitação identitária para preencher vazios.

Sou RP. E portanto, a primeira vez que ouvi « sentimento de pertence » foi muitos anos depois de formada de uma superior. A partir do momento que essa expressão cruzou meus tímpanos ele doeu. Na época, pensei que era só questão de peso das palavras. Hoje vejo que foi a falta de sentido pra mim e de referência à quem falava.

Você já parou para analisar que existem aqueles que precisam…

Ter para pertencer.

Pertencer para criar ou fazer sentido.

Fazer sentido para ser. 

A diferença?

Não é poder.

É referência de liberdade.

Esse foi um dos papos que tive com minha mãe nesses férias pela Riviera Francesa. Contraste dos extremos, mas no fundo todos parecem ou querem parecer iguais… e não importa o lugar. 

Ter pra mim já foi foco. Hoje, representa muito mais opção de conforto (mental).

Já lutei muito para entrar em alguns grupos. Alguns consegui, outros não. Grupos desses que levam badges para permitir ser, fortalecer egos e abrir portas.

Mas e no final do dia?

O que vale ter ou pertencer sem o SER em você mesmo?

Nunca pertenceremos ao espírito livre e aventureiro só por ter uma Harley. Nunca vamos ser reconhecidos por um grupo só por termos acesso a ele.

Mas podemos ser alguém que cria suas próprias referências em si mesmo. 

Lugares belos como Fernando de Noronha, Riviera francesa e outros, não são belezas por se equipararem ou quererem ser como outras. Possuem referência própria, identidade singular e beleza única, sem precisar se ligar a outro.

Pertencem, mas jamais serão pertencentes.

Percebe a diferença?

Vejo muita gente adoecer por trabalhos. O ato de estar e entregar faz um sentimento para sentir que merece ter ou pertencer para ser.

Já vi muita gente adoecer por famílias e companheiros.as. Amigos que se auto anulam, afogando suas próprias necessidades em detrimento de uma falsa aceitação temporária do outro. Só por não conseguir estar ou ficar sozinho. Ter companhia e pertencer a grupos equivalem a status… « diga com quem andas para eu a validar seu valor ».

Com conhecimento de causa:

Nunca consegui pertencer a trabalhos. E isso não é sobre vestir ou não a camisa da empresa. É sobre saber distinguir quem sou do que eu faço.

Nunca consegui querer ou estar (por livre e espontânea vontade) em eventos familiares. De natais a almoços em família. (Desculpa aí família!)

Nunca consegui ser pertencente a um grupo de amigos de verdade. E não por falta de possibilidades. Até apelido de « abduzida » eu tinha 😂😅 Por que será?

E portanto, tenho histórico de muitos anos em empresas que passo e sempre subindo de cargos. 

Participo de eventos familiares e com bom histórico de relações. 

Tenho amigos e tudo vai bem.

Mas não me apego a nada e nem ninguém. Por quê?

Estar presente ou participar não é o mesmo que pertencer. 

E… Pertencer (me) limita.

Quando você pertence, você está atribuído a um sentimento genuíno de falta. Sua identidade está vinculada a busca de bem estar social e validação de alguém em grupo ou mesmo indivíduos isolados.

A busca de validação é um ato de fraqueza na sua personalidade, digo no seu mais íntimo eu. Não o eu social. O seu eu individual. Aquele de quando você coloca a cabeça no travesseiro, apaga as luzes e responde: quem é você de verdade.

Você consegue citar seu eu, sem nome de família, sem lugar fixo, sem títulos, sem empregos ou funções, sem referências de terceiros como amigos e parceiros?

Se você consegue…

Aí você chegou em você.

Tenta. Te desafio contar sua história. Você vai ver que tem amarras mais profundas que imagina. O problema?

Pertencimento cria ponto de referência. De identificação com o que você vê e com o que você almeja. 

Você gosta de algum grupo, você fica. Mas ele te faz ser quem você gostaria de ser ou te bloqueia em algo que você já é e só quer ser aceito, validado para se sentir bem?

Quem busca pertencer, busca validação (talvez por falta de si mesmo?).

Quem entendeu a invalidação do pertencer, quer evolução de si mesmo e sabe que grupos de referência só são referência até você os superar. Após, é necessário sair. Então, existe pertencimento?

Religião é uma forma de pertencimento para organização moral.

Política é pertencimento para organização social.

Grupos de referência é pertencimento para organização psicológica.

Agora trabalho? Marcas?

Já percebeu quando você busca por religião, grupos políticos, companhia ou compras? 

Em crises, instabilidades, inseguranças, vazios ou oportunidades, ou melhor oportunismo.

Mas lembre-se: toda organização de algo não é pertencimento. É ferramenta de controle. E você: controla ou ama ser controlado?

Organização social é ferramenta de controle psicológico, que por sua vez, se torna ferramenta de poder.

Assim como religião e política, há diversas outros  estruturas sociais de « pertencimento » informais. Essas, são as mais perigosas. E as mais limitantes.

Por isso… para mim, pertencer e a história de « somos seres sociais » é apenas balela de quem quer criar manobras de poder ou já se curvou a elas. 

Quer pertencer? 

Bloqueie seu crescimento e conforme-se. 

😏

Incomodou?

Reveja sua resistência emocional.

Conformismo ao que todos acham certo, sem criticar ou entender o porquê é a maior fraqueza do (seu) pertencimento. 😜

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