Qual é a relação entre aprendizagem e a Gestão da Experiência do Cliente?

by Juliana Cândido Custodio

Do lado do cliente, quando falamos de experiência, falamos de percepção e de emoções. Já do lado da empresa, quando falamos de experiência, falamos de processos, cultura e estratégia.

Um lado projeta e cria; o outro recebe e interpreta.

Embora os dois sejam elos fundamentais para a vivência do cliente em uma relação de compra e consumo, se forem desconectados como caixinhas separadas dentro da organização, nada funciona para a entrega de excelência ao cliente. E, para esse elo acontecer está embutido o processo de aprendizado e a busca pela melhoria contínua.

Um cliente só percebe uma boa experiência de uma empresa que está apta para essa entrega. Por isso, uma experiência projetada para o cliente nunca pode ser estática: o cliente aprende a cada compra, então para manter níveis de satisfação, no mínimo o patamar prometido ou obtido em um contato prévio é esperado. Caso qualquer coisa não esteja dentro desses padrões para o cliente, é insatisfação na certa.

Por isso, a empresa apta para querer ter uma boa gestão da experiência do cliente é uma empresa que consegue evoluir e entregar excelência por estar disposta a aprender e evoluir sempre. Aprende com o cliente, com colaboradores, com fornecedores e parceiros e se renova. Em um processo continuo.

Mas essa disposição para evoluir não é apenas ter programas de aprendizagem e dados/inteligência de mercado e empresarial. É ter uma cultura de troca de informações e abertura de fato para isso.

No inicio da pandemia, eu falava para meus alunos:

“Dificilmente as pessoas vão mudar e adquirir bons comportamentos de forma permanente mesmo com toda essa situação”.

E eles se espantavam. E eu continuava:

“Se as empresas não apoiarem essa mudança, nada muda. Se as empresas não se adaptarem internamente para reproduzir externamente bons hábitos que mantenham a qualidade e a entrega em padrões que assumam essa mudança para o consumidor, nada muda».

Isso envolve aprendizagem constante e interesse genuíno no próximo. O interesse até existe. Ja o genuíno, tenho minhas duvidas…

As empresas são constituídas de pessoas que transmitem o que aprendem lá dentro. Qualidade recebida, qualidade transmitida. Bons hábitos recebidos, bons hábitos transmitidos. Conhecimento recebido, conhecimento transmitido.

No entanto, o conhecimento vai muito além do ato de ter acesso à informação. Envolve saber selecionar, interpretar e usar. Portanto, o conhecimento é algo que não é inerte nem nas pessoas tampouco nas empresas. Vemos todos os dias algo novo. Absorvemos todos os dias informações novas. Então, nosso conhecimento é afetado todos os dias. Mas… nem todo mundo aprende todos os dias. Ou seja, ser afetado por informação não significa transformação!

Ter acesso à algo é bem diferente de aprender algo. Aprendizado é predisposição à abertura ao conhecimento e vontade de mudança.

Nesse processo existe moderação da flexibilidade e dissonância cognitiva de cada um. Sabe aquelas pessoas tachadas como « cabeça dura » por serem difíceis de aprender algo ou assumir erros? Não é uma questão de inteligência, ignorância ou restrição. É uma questão de esforço para abertura e mudança.

O mais fácil é sempre manter padrões já estabelecidos, conhecimentos já adquiridos e hábitos já enraizados. Dói menos e o esforço é menor.

Hoje o que eu vejo?

Três anos após o início da pandemia, poucas pessoas aprenderam. Poucas empresas aprenderam. Houveram massas de manobra, algumas perceptíveis e que caíram rápido. Outras que estão aí até hoje.

Sabe aquele mesmo vírus que era uma gripezinha criticada no começo, pode realmente ser considerada a mesma gripezinha hoje, por quê? Será mesmo?

Aqueles bons hábitos que eram vistos como bons comportamentos de higiene e cuidado pessoal, por que são olhados com tanta estranheza hoje?

Aqueles hábitos de entrega, de facilidade ao cliente e de personalização e sensibilização de todos, por que parou de acontecer de forma tão espontânea?

Pois é…

Aprendizado ou vem com a percepção da necessidade de mudança (e consciência pra isso) ou com a dor. Dificilmente alguém aprende sem uma dessas duas questões. E o interesse no próximo vemos aí. Genuíno?

Esse exemplo da pandemia é só para ilustrar como é difícil mudar se as pessoas só assumem e compram o que a massa propõe. Aqui a massa é sim algo negativo. É o famoso efeito manada, não de marketing, mas de busca de pertencimento a algo que às vezes não faz nem sentido, mas compram como algo maravilhoso. Afinal, é fácil, prático e lindo. Quase como aqueles sonhos encantados que te contam na internet com cursos que todo mundo sabe que não entrega, mas mesmo assim há gente que insiste no erro. Afinal, é fácil e não doi.

E sabe por que eu fiz essa comparação entre pandemia e a Experiência do Cliente para ilustrar a importância do aprendizado?

Porque muita gente já sabe que métricas de satisfação não adiantam de forma isolada e NPS não mede experiências nem ajuda a melhorar. Se fosse o GPS que tanto pregam não tinha tanta empresa perdida no processo por ai, não é mesmo?! 😉

Porque muita gente ainda confunde experiência com atendimento e com relacionamento. Ora, se fosse somente isso, a principal reclamação das empresas seria apenas atendimento e relacionamento e não o produto e a entrega conforme prometido. Empresas de avaliação que o digam… 😉

Antes de discutirmos sobre cultura centrada no cliente, mudanças na experiência do cliente e outras temáticas essenciais que de tão banalizadas estão virando “modinha” (infelizmente), devemos ver o quanto as empresas estão prontas para aprender e se adaptar realmente para essa melhor entrega de experiências ao cliente.

Sem aprendizado, ‘foco no cliente’ será sempre visto como experiência no atendimento e no relacionamento, assim como na sociedade a mudança sempre será vista apenas através de normas e leis… (viu por que comparei com a pandemia?)

É o pãozinho entregue novamente no chão nas portas de comércios. É aquela ação que foi tirada da empresa, pois mesmo sendo boa ao cliente gerava custo. É aquele projeto lindo que mesmo com dados, ainda nasceu de uma bela tentativa e erro, o famoso achômetro para ligar alguns pontos e criar algum sentido que talvez não seja bem assim… quem usa NPS que o diga…

Uma coisa é o que percebemos.

Outra é o que somos capazes de fazer.

Uma coisa é o que seu cliente sente. Outra, é o que a sua empresa é capaz de fazer ele sentir. Para isso, aprendizado e abertura é tudo. E faz uma bela diferença!

Será que você e a sua empresa estão realmente prontos e abertos para revolucionar a experiência do seu cliente?

Quer aprender de verdade?

Se você acredita no poder da estratégia empresarial para alinhar ações ao cliente e quer ser protagonista de experiências, aprendendo de verdade a relação entre estratégia, cultura e alinhamento de processos para a gestão da melhor experiencia para o cliente participe do curso que vou ministrar a partir do dia 26/04 na PUC-Rio.

Inscrições: https://iag.puc-rio.br/curso/estrategia-gestao-da-experiencia-do-cliente/

E se você quer conhecer um jeito novo para revolucionar a experiência de seus clientes, vem pra HappyTrack !

https://happytrack.com.br

 

*Foto: Arquivo pessoal, de 12/04/2023 de um delivery B2B no centro de Paris

Deixar um comentário

Você pode também gostar disso

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Tudo bem para você? Ok! Estou de acordo. Ler mais

Privacy & Cookies Policy